quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Cmaps Tools! Uma ferramenta para dentro ou fora da sala.

E se a atividade for alguns conceitos soltos colocados no quadro.... E os alunos, coitados.... Vão ter de montar um mapa conceitual.... Mas calma esta estória de terror não é tão terror assim e pode vir a ser muito divertida para os alunos e para o professor. 
Pense um pouco, se forem colocados diversos conceitos, como por exemplo, as grandes áreas da filosofia. Os alunos ao terem que fazer as ligações de um conceito com o outro precisaram explicar qual a relação que há entre esta ligação... Não há aí talvez um processo de filosofar? Qual a ligação de epistemologia com a ética? Existe? Será que na história da filosofia alguém já não pensou nisso?
É claro que o papel e caneta dão vazão a esta atividade sem a menor perda. Entretanto uma boa estratégia é usar a tecnologia para fazer da aula algo diferente. Uma ferramenta para dar uma baita de uma ajuda neste tipo de atividade é a "Cmaps Tools". Com um pouco de prática nela pode vir a facilitar a vida de todos na hora de montar materiais seja aluno ou professor. No caso abaixo, fora montado um esboço na hora de estudar o livro VI da "Ética a Nicômaco" de Aristóteles.

O seu uso é relativamente fácil e de grande versatilidade. Outra proposta possível para uso em sala de aula é para montar material de revisão para provas.
A diferença entre o simples uso de fazer uma lista e um mapa conceitual nos ajuda a pensar do porquê de um mapa para qualquer fim.
Um mapa conceitual (ou mental) não nos possibilita apenas destacar conceitos, mas também a entender as relações entre um e outro. Outra vantagem que o material oferece é uma leitura dinâmica e rápida. Não preciso reler o texto, pois no uso do mapa mental as principais informações já estão inclusas com suas  relações entre si.
Fazendo uma sugestão eu diria que os mapas podem ser uma ferramenta onde o aluno poderia fazer uso após leituras e depois complementaria com os colegas em sala de aula. A vantagem é que ao fazer o uso deste esquema (se eu realmente fizesse um esquema) é que ao aluno ter de complementar um mapa conceitual ele vai estar discutindo o texto.
Supomos que o professor já tenha dado a tarefa para os alunos montarem em casa o mapa. Na outra aula ele coloca no quadro a palavra central do texto (no caso da filosofia o conceito) e os alunos (que forem sorteados) vão colocando seus mapas no quadro e vendo as observações e mapas dos colegas em apenas um lugar. Ver as diferentes ligações encontradas, outras visões e outro mapa a partir do que ele montou pode o ajudar a ter uma visão mais complexa ou mesmo mais aprofundada de algum tema. Cabendo ao professor orientar este novo mapa que se forma no quadro diante da turma a medida que vai sendo complementado.


O exemplo a seguir pode ajudar a visualizar melhor.
O aluno A construiu este mapa logo abaixo:
O aluno B construiu este outro logo abaixo:

 O professor ao colocar-los comparando seus mapas pode ajudar-los a perceberem aquilo que não haviam notado e ainda podem complementar e criar novas ligações. Como no mapa abaixo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ENEM e o tema da Intolerância Religiosa

Ei, você, estudante que fez o ENEM 2016. O que achou da prova? Os conteúdos eram pertinentes? As perguntas eram claras? Poderia ser de outra forma? E, sobre a redação é possível dizer que o tema veio a calhar de acordo com o contexto que o Brasil vive? O tema da redação será refletido de forma breve aqui nesse texto visando analisar o que significa falar em Intolerância religiosa conceitual e históricamente.
Quando se apresenta a intolerância religiosa nas grandes mídias geralmente se parte do pressuposto que tal prática é errada, porém poucos, ou para não dizer nenhum, dos argumentos utilizados debate sobre a questão com mais cuidado no que tange os motivos que levam a negação de tal questão. No caso, qual o significado dos conceitos de intolerância, religião, moral, ética, de que maneira isso está ligado à natureza humana, ao ambiente de relações interpessoais. É preciso mais profundidade nos debates, pois, com efeito, os reducionismos são práticas que tendem a alienar e prender o sujeito em seu “mundinho” e não permitem uma análise mais ampla sobre a pluralidade cultural do mundo, sobre o respeito as diferenças, mas sobretudo, a crítica responsável quando necessária.
A intolerância por si só é algo que existe em vários níveis da sociedade ao longo do tempo, e talvez possamos afirmar que a questão religiosa é o pano de fundo para muitos ataques e preconceitos sociais. Nesse sentido a intolerância, aqui entendida como violência física e simbólica, tem ao menos duas possibilidades de enraizamento e desenvolvimento. Primeiro, ela pode estar ligada a uma natureza humana voltada ao egoísmo, à individualização e coisas do tipo. Segundo, ela pode ser uma atitude extremista do ser humano em virtude de um caos pelo qual sua sociedade está passando, assim um reflexo, de forma que em relação ao Brasil a justificativa é o ambiente político-partidário em descrédito. Tomemos dois exemplos históricos: verificamos essa intolerância na Idade Média por meio da Inquisição e a caça as bruxas e na segunda guerra mundial com as perseguições aos judeus.

Nesse sentido será que a intolerância está ligada a uma suposta natureza humana pré-dada ou por outra via está mais atrelada à própria constituição da sociedade? Os fatos que nos aparecem realmente são daquela forma, alguém os manipula, isto é, a intolerância religiosa ocorre mesmo em virtude da religião, ou é justificativa para outros tipos de violência que a massa não percebe? Fica o convite a mais uma reflexão sobre o tema! Aproveite os colegas e amigos que também fizeram a prova e tente perceber se ele seguiu uma destas duas linhas.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Oficina sobre Nietzsche: Estudando valores morais

Foi uma manhã diferente a do dia 31 de Outubro, pelo menos com algumas novidades. Muitos dos alunos de segundo ano da Escola São Caetano ainda não tinham ouvido falar de Friedrich Nietzsche. A obra intitulada "A Genealogia da Moral", serviu de embasamento à atividade. Algumas questões que o próprio autor se propôs a responder nortearam o debate. Afinal, qual é a origem de nossa ideia de bem e de mal?  Bem e mal poderiam ser considerados absolutos? Questões que, analisadas e respondidas "a golpes de martelo", certamente nos provocam reflexões. Por fim, é gratificante, como ministrante da oficina, notar alunos dispostos a discutir filosofia.



*Oficina ministrada por Éverton Ferri e Éverton Luiz, ambos participantes do PIBID/UCS de Filosofia 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

OFICINA SARTREANA

E nessa última segunda-feira, dia 24 de outubro de 2016 as turmas da 201, 202 e 203 da Escola São Caetano receberam os Pibidianos Suzy Menegat & Mateus Maciel e a oficina existencialista com direito a poema do pibidiano Patric Peres.

Ir para a sala de aula é sempre um grande desafio,  podemos  dizer que passamos a compreender a angústia sartreana. Apresentar as ideias de um dos maiores pensadores de nossa história implica em uma incalculável responsabilidade. 

Mas ser recebidos por uma galera pronta para questionar e contribuir, sempre devolve a leveza e o prazer em cumprir a missão!

No final de cada oficina sugerimos a criação de uma poesia, um freestyle ou qualquer intervenção artística que pudesse trazer a tona o que havia se compreendido das ideias apresentadas. 

Aproveitamos também para realizar um sorteio da obra o Existencialismo é um Humanismo e a ganhadora foi a Fran da 202 (que aliás é uma grande desenhista).



A vontade é de logo voltar para a sala de aula e poder viver esses momentos todos os dias, procurar apresentar novas ideias, novas visões e de aprender com essa galera que tem muito para ensinar! 

Durante os dias da divulgação da nova MP do ensino médio, lemos e ouvimos diversas opiniões. E para aqueles que duvidam da capacidade da arte e da filosofia, tanto quanto desconhecem a capacidade e o pensamento crítico dessa galera ai vai um poema da aluna Ellen da turma 202 ao término da nossa oficina:

Se somos condenados a liberdade
Estamos presos em nossa própria existência
Buscando, então, a essência
Do que somos ou procuramos ser
Sentenciados fomos a construir a nós mesmos
Até que venha a morte
E com ela o nada
O nada que quer ser
Pois não é essência 
É vazio que, na verdade
Procura estar atrás das grades
Preso junto ao que é

E não solto com o que poderia ser

E para aqueles que se encantaram com a biografia de Sartre e Beauvoir, estamos preparando uma oficina sobre a  Violett Leduc! 

Até a próxima Galera!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Por que estudar Karl Marx?


            Ei você, já se perguntou como a sociedade se organiza? De onde surgem as desigualdades sociais? Qual a importância do trabalho para você e seus amigos? Seria possível uma sociedade sem trabalho? É possível modificar a realidade em que se vive? Essas são algumas das principais questões que nortearam o pensamento Marxiano sobre sociedade sob um ponto de vista histórico e filosófico no século XIX. Seja para criticar ou defender, o fato é que não se pode deixar de ler este sujeito barbudo.
            Segundo Marx a história é feita por meio da luta de classes em que há um conflito permanente entre contrários, por exemplo, burguês e proletário, senhor feudal e servo. O trabalho é o centro dessas relações, pois o proletário sem possuir os meios de produção recorre ao trabalho assalariado para sobreviver economicamente. Nesse contexto o grande mal social segundo o filósofo está contido principalmente na economia e na propriedade privada. Para tanto, uma sociedade comunista seria o modelo ideal de sociedade pelo fato de que ali não haveria nem oprimido nem opressor, sequer o Estado, num estágio final, seria necessário em virtude de as pessoas se regularem de acordo com o bem comum. Aqui não cabe simplesmente a ideia de que quem tiver dois sapatos dará um ao necessitado, porém segundo defende Marx a perspectiva comunista é mais ampla e engloba a noção de que se deveria modificar a forma de como a sociedade se organiza em relação a sua estrutura.

            O trabalho pode ser facilmente considerado um bem, até porque é fonte de subsistência desde o surgimento da humanidade, no entanto, a partir do momento em que o sujeito deixa de exercer o trabalho tendo em vista a necessidade da subsistência e passa ao nível do puro lucro temos a alienação humana. Nesse momento não há mais uma identidade do sujeito em relação ao que ele produziu de modo tal produto não é mais parte de si, entretanto, passa a ser visto simplesmente como mais um objeto. O taylorismo é um exemplo de produção em série que determina essa extrema fragmentação do trabalho em que não mais o artesão confecciona todo o produto, contudo, no meio industrial se subdivide as tarefas. Assim, a produção aumenta, o lucro cresce, e o sujeito cada vez percebe menos sentido no que faz. Eis uma sociedade complicada, em suma é o que Marx descreve em pleno século XIX com a Revolução Industrial. E hoje como estamos vivendo? Algo mudou? Você tem responsabilidade sobre isso? Não cabe responder sim ou não, seria muito fácil, apenas reflita o porquê isso ocorre.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Eaí galera do São Caetano! Estão curiosos para saber o que estamos preparando para vocês?

 Nesse momento o grupo PIBID UCS Filosofia está em meio ao desenvolvimento de dois projetos, um deles consiste em: auxiliar as turmas de 1° ano em um trabalho interdisciplinar à pesquisarem os aspectos históricos, geográficos, políticos, sociais, econômicos, culturais, religiosos e filosóficos da idade média e produzirem um jogo que contenha perguntas e respostas sobre a pesquisa.
 O outro projeto envolve as turmas de 2° ano, que dentro da disciplina de filosofia estão estudando o período moderno/contemporâneo. Sendo assim nos dividimos na elaboração de oficinas, cada oficina trabalhará com um filósofo e uma problemática diferente deste período, são eles Immanuel Kant (Séc. XVIII), Karl Marx (Séc. XIX), Friedrich Nietzsche (Séc. XIX), Jean-Paul Sartre (Séc. XX) e Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno (Séc. XX).
 Esse período ficou marcado como um momento de ruptura com a metafisica, por isso tem o destaque de troca histórica do pensamento ocidental.
 Deixo como indicação aos acompanhantes do blog, que pesquisem esses filósofos e as ideias marcantes deixadas por eles para estarem preparados para as oficinas.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016




                   O NASCIMENTO DA FILOSOFIA
    
      O ser humano, por volta do século V antes de Cristo, na Grécia Antiga, começou a trilhar um caminho sem volta, pois, a partir daí, a razão se tornou o critério central e norteador na construção da civilização, com seus acerto e erros. Bem entendido.
    A filosofia é o nome dessa via que levou os homens a abandonarem as explicações míticas para seus desafios existenciais e a apostar na razão para a explicação causal do mundo.
  Filosofia é uma palavra que vem da língua grega e significa, literalmente,“amigo ou amizade ao saber” (Filos = amigo e sofia = sabedoria). Um dos motivos que pode explicar o nascimento do “amor ao saber” na Grécia é: esse era um povo muito dedicado ao comércio marítimo e as navegações, por ser um arquipélago, sobretudo. Seu terreno montanhoso também dificultava a agricultura.
     O comércio exigiu que os gregos conhecessem outras línguas; além disso
para desenvolver sua atividade econômica precisavam de segurança jurídica, dessa forma pensaram criticamente sobre questões de ética, política e direito.
   Em contato com outros povos, conheceram outras religiões e se depararam com diferentes concepções de tempo, o que os impulsionou a refletir sobre a natureza do tempo. Enfim, mais do que um “milagre grego”, a filosofia foi uma necessidade de sobrevivência num mundo que exigia cada vez mais respostas complexas aos desafios que a história impunha a esse povo.
      Dessa forma, o comércio marítimo permitiu que os helenos entrassem em contato com outras culturas e povos. Com esse intercâmbio foram aprimorando seu desenvolvimento sócio-cultural que culminou no surgimento da filosofia com os pensadores Pré-Socráticos. O pensamento grego antigo é dividido, assim, em duas fases e tem em Sócrates (469 a.C. - 399 a.C.) o seu grande divisor. Portanto, os filósofos anteriores a Sócrates são denominados de Pré-Socráticos e os posteriores, de Pós-Socráticos.
        Os pensadores Pré-Socráticos são conhecidos como pensadores físicos ou naturalistas, pois a questão principal de sua filosofia era saber de que são feitas as coisas do universo, ou seja, qual a essência do que forma o mundo? E respondiam a essa questão através dos elementos fundamentais da natureza que, para eles, constituíam o universo.
     O filósofo Tales da cidade de Mileto na Grécia defendia que o elemento primordial do universo era a água. Heráclito da cidade de Abdera atribuía ao fogo tudo o que existia. Assim, temos que a filosofia tem desde seus primórdios uma origem muito próxima com a natureza e o pensar sobre a natureza.
      Mas o pensamento na polis (cidade grega) não se limitou a pensar sobre a arque (o início das coisas). Sócrates representa uma virada na história da filosofia porque faz do homem e dos problemas humanos o centro angular de seu pensar. Na frase “sei que nada sei”, Sócrates sintetiza que o conhecimento humano é uma busca constante, ou seja, que há muito mais para ser conhecido e descoberto do que até agora foi conquistado.
      Sócrates foi um pensador, essencialmente, político. Não deixou nada escrito. A maior parte do que sabemos sobre ele e de suas ideias nos foi legado pelo seu discípulo mais inteligente – Platão. Nos Diálogos de Platão encontramos Sócrates debatendo as grandes questões que agitavam o mundo grego e que são, ainda, atuais em nosso tempo - como a questão sobre o que é a justiça ou a relação entre conhecimento e virtude. 
     Mas, como muitos dos grandes homens da história, Sócrates também encontrou uma oposição forte e sistemática em seu mundo. Ele foi acusado de dois crimes: corromper a juventude de seu tempo e negar os deuses oficiais da religião do estado. Depois de processado, foi condenada à morte. Sua pena: beber cicuta (um veneno mortal).

Autor: Dr. Luis Fernando Biasoli