sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Duas matérias interessantes sobre Educação e Internet no jornal O Pioneiro deste sábado 22 agosto

(São exemplos e experiências que também deveriamos aproveitar no ensino de Filosofia.)

Jornal O Pioneiro , dia 22/08/2009 , página 10, sessão Cidades.

‘Blogs despertam para a escrita’
Júlio Araújo, doutor em Linguística e pesquisador da Universidade Federal do Ceará

Caxias do Sul – As páginas da web nasceram há 20 anos e cresceram rapidamente. Ao alcance de um clic, hoje é possível acessar textos, áudios, vídeos, fazer compras, contatar pessoas, entre muitas outras ferramentas. Para o futuro, a expectativa é de que o universo virtual seja ainda mais amplo e promissor, sobretudo devido aos sites de relacionamento, as chamadas redes sociais, como Orkut, Twitter e Facebook. Essas redes devem se tornar cada vez mais populares.

Diante desse fenômeno social e tecnológico, é natural que a internet desperte o interesse de pesquisadores de diversas áreas, como de linguagem. A rede acabou criando uma nova forma de escrita, o internetês. Você vira "vc", também fica "tb" e assim por diante.Na semana passada, o doutor em Linguística Júlio Araújo, professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará, palestrou sobre o tema na Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Ele é um dos maiores pesquisadores do país sobre linguagem na internet. Confira a entrevista concedida ao Pioneiro.

Pioneiro: Desde que iniciou seus estudos, há 10 anos, a internet ampliou muitos seus recursos e chegou a mais pessoas. Que mudança mais lhe impressionou?

Júlio Araújo: Antes, éramos mais consumidores que produtores de conteúdo. Não havia tanta interação virtual. A web, hoje, nos convoca e provoca a sermos também produtores. Podemos participar de enquetes, comentar textos, ter nosso próprio blog, Orkut etc. Tudo isso em apenas 10 anos!

Pioneiro: Hoje, as redes sociais fazem sucesso. O que é estar junto na web?

Araújo: Não é, definitivamente, estar junto fora dela. Ainda estou tentando compreender e categorizar esse fenômeno. Fiz um mapeamento virtual de comunidades no Orkut para descobrir sobre o que as pessoas conversavam. Sabe sobre o quê? Elas não conversavam sobre nada! Mas, por traz desse silêncio, há uma polifonia de voz incrível que revela novas maneiras de sociabilidade.

Pioneiro: O que achas da mais nova rede social, o Twitter?
Araújo: As mensagens têm uma limitação de caracteres que revela a pressa que caracteriza a comunicação de hoje. Por outro lado, acho curioso que alguém se interesse em saber pelo Twitter que uma pessoa está tomando um cafezinho.

Pioneiro: Outro fenômeno são os blogs. Por que há tanta gente querendo escrever?

Araújo: Muita gente tem blog, mas não é blogueiro. Para ser blogueiro é preciso ter uma audiência expressiva. Muitos blogs de sucesso têm relação com veículos de comunicação com credibilidade já reconhecida. Os blogs despertam para a escrita porque escrever no blog é parecido com escrever no papel, ainda que se diferencie pelos recursos semióticos além da escrita, como imagem e vídeo. Não existe concorrência com a texto impresso, mas co-ocorrência.

Pioneiro: Há uma geração que está crescendo com a internet mas frequenta escolas tradicionais. Que análise faz sobre essa realidade?

Araújo: Hoje, a escola não é sedutora. A criança não diz: "oba, vou para a escola!". Ela diz: "ai, que droga, tenho de ir à escola". Os professores precisam permitir que as práticas de escrita na web, formais e informais, entrem pela porta da frente da escola. Se a internet fosse melhor aproveitada, a aprendizagem seria mais sedutora. O que mais se faz na internet é ler e escrever.]

Pioneiro: Na internet, nós usamos o internetês, uma linguagem repleta de abreviações. Isso não atrapalha o aprendizado da norma culta da língua?

Araújo: Definitivamente, não. A escola não precisa usar o internetês como pretexto para continuar com a normatização da língua. Qualquer texto que circula na vida real dos alunos deve ser bem-vindo dentro da escola. O professor precisa ensinar a ler jornal, classificados, extrato de banco, e a web. O internetês é só mais uma estratégia de ensino.

Pioneiro: Mas como fica o aprendizado formal da língua?Araújo: O aluno tem de aprender a prática formal e informal da língua. Uma coisa não anula a outra. O professor tem de ensinar que a língua é um guarda-roupas. Quando eu o abro, escolho a peça mais adequada para cada tipo de situação. O problema é que a escola ainda é muito apaixonada por si mesma. Essa paixão a deixa cega diante de outras práticas de escrita. Ler e escrever no nosso tempo é ler e escrever no papel e na web.

Pioneiro: Um doutor em linguagem, como o senhor, escreve em "internetês"?Araújo: Me tornei um estudioso do tema de tanto criticar o internetês. Na minha cabeça, língua era uma senhora carrancuda com uma bengala na mão disposta a corrigir as pessoas que não escrevessem ou falassem corretamente com uma bengalada na cabeça. Hoje meu conceito é de que a língua é um líquido que, dependendo do frasco, terá a forma, como o internetês. Agora há alunos que se assustam comigo. "Doutor, você também escreve desse jeito?".

Pioneiro: Há muita gente dizendo que o português vai acabar...

Araújo: O português não vai acabar. Uma coisa é a ortografia, que é uma convenção social, e outra é a grafia. Eu grafo da maneira que eu quiser. A grafia varia de acordo com o suporte. Quando leio no Classificados: "vende-se 1apt.3qs." meus olhos enxergam: "um apartamento de três quartos". O internetês é só mais uma variação linguística. É um mito achar que o mais importante ao aluno é saber a diferença entre um adjunto adnominal e um complemento nominal.

Pioneiro: Que erro de escrita é imperdoável?

Araújo: É errado se fere a estrutura da língua. Um exemplo: a bola chutou o menino. A estrutura da frase está correta, mas não tem sentido.

Pioneiro: Pode dar um exemplo de ferramenta na web que poderia ser aproveitada como recurso pedagógico?Araújo: O blog é interessante porque pode ajudar o aluno a se descobrir autor. Para quem o aluno escreve? Para a professora corrigir vírgula, caçar crase. No blog, o aluno escreve sabendo que vai ser lido. É um caminho fantástico porque incentiva a busca da sofisticação da autoria.

Pioneiro: Quando se está no meio de uma revolução, como essa digital, é difícil delinear para onde se está indo. Consegue projetar os próximos 10 anos?

Araújo: Haverá uma convergência maior de mídias na web, a interatividade deve ir às últimas consequências e mais pessoas terão acesso à rede. Do bolo ao carro, continuaremos podendo comprar de tudo pela internet. Mas as técnicas serão mais sofisticadas. A questão é: o que vamos fazer com tanta informação e acesso? Não me pergunte (risos).

Jornal O Pioneiro , dia 22/08/2009 , página 08 , Sessão Cidades.


EDUCAÇÃO
Professoras nota 10
Duas docentes de Caxias têm destaque nacional
Caxias do Sul – Luz, sombra e uma câmera digital. O mundo sem fim da internet. As grandes ideias são simples, mas transformam realidades. Duas professoras de escolas estaduais de Caxias inovaram e foram reconhecidas por importantes prêmios nacionais na área de educação.

Rosangela Guella Tamagnone, da Escola Ismael Chaves Barcellos, de Galópolis, foi uma das 10 melhores professoras do Brasil no Prêmio Professor Nota 10, da Fundação Victor Civita. Teresinha Bernardete Motter, do Instituto Estadual Cristóvão de Mendoza, é uma das três finalistas nacionais do Prêmio Educadores Inovadores da Microsoft.Da mãe, Rosa Maria, Rosangela herdou o ofício, professora, do pai, Olir, a paixão por fotografia.

No início de 2008, a professora de Artes de 40 anos, filha e neta de fotógrafos, resolveu ensinar o mundo que se esconde por trás das lentes aos seus alunos de 7ª e 8ª série. Ali se abria um novo horizonte que convidava os 100 adolescentes de quatro turmas a ver a vida por outros ângulos.Nas férias de 2008, a professora arquitetou o projeto. Entre o final de março e julho, o trabalho foi desenvolvido com os alunos.

Eles tiveram aulas sobre história da fotografia e sobre técnicas. Os estudantes assistiram palestras com a fotógrafa Inês Muner, sobre a fotografia de antigamente, e como fotógrafo José Zignani, sobre a fotografia digital e programas de manipulação eletrônica de imagens.Com máquinas digitais, os estudantes tiveram de fotografar o colégio.

O tema foi sugerido porque, em 2009, o Ismael completa 70 anos. Cada grupo enviou até 15 fotos para Rosangela. Em novembro, as melhores imagens integraram uma exposição em Galópolis.Em 2009, 3.795 educadores de todo o país, de escolas públicas e particulares, inscreveram projetos para participar da 12ª edição do prêmio.

A premiação será entregue no dia 19 de outubro, em São Paulo.Pioneiro.comConfira uma galeria com as fotos feitas pelos alunos da professora Rosangela.
Vote na professora Teresinha O prêmio Educadores Inovadores tem votação aberta. Para participar, vá em http://www.educadoresinovadores.com.br/
Blog da professora Teresinha Bernardete Motter: http://www.caminhosparachegar.blogspot.com/ - Blog da professora Teresinha Bernardete Motter com os links para os projetos das alunas do Cristóvão de Mendoza: http://projetosdeaprendizagemdocursonormal.blogspot.com
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AMIZADE
Nada agrada mais uma pessoa do que uma amizade fiel e doce.
Lúcio Aneu Sêneca ( 4 a.C. - 65 ): filósofo, escritor e político romano.

Um comentário:

  1. eu concordo com os guardas pegarem as crianças gazeando aula!!!

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